Atriz fala do constrangimento passado em Maringá
A atriz Betina Viany (na foto, caracterizada), uma das atrizes da peça Monólogos da Vacina barradas no Teatro Calil Haddad no último sábado, em Maringá, enviou uma carta endereçada ao diretor do teatro, à secretária de Cultura , ao prefeito da cidade e ao produtor do espetáculo. O blog obteve o documento, onde ela se mostra indignada com o que aconteceu pouco antes de a peça ser apresentada. Exigindo respeito à sua profissão, a atriz diz que irá relatar o constrangimento que passou aos colegas de ofício. Como lembrou uma leitora, nem na ditadura se impedia a entrada do artista no teatro, o que acontecia era impedir a encenação da peça com os devidos artistas já nas coxias. As artistas sentiram na pele a forma tosca com que se gere a cultura na cida.
A carta, que contém uma indignação compreensível já que, estando todas as taxas pagas, é direito do artista o uso do espaço, inclusive para se concentrar e fazer uma boa apresentação, registra um dos momentos mais vergonhosos sofridos pela cultura em Maringá. Confira a carta:
“Prezados Senhores,
Venho, por meio desta, realtar o enorme constrangimento pelo qual passei no dia 7 de maio de 2010 ao chegar ao Teatro às 19h15. A produtora e atriz Vera Setta, sua advogada e assessora sra. Maria Domenica e eu, ao chegarmos fomos abordadas por uma senhora que, sem se identificar, ordenou que subíssemos à administração e nos informou que não poderíamos entrar no teatro. Havia também mais duas senhoras que, cumprindo ordens superiores, se postaram em frente à port a de entrada da platéia para impedir nosso acesso. Quero ressaltar que essas duas senhoras apenas cumpriram ordens e que não as responsabilizo pelo ato arbitrário que cometeram.
A produtora e sua advogada subiram à administração para resolver a pendência burocrática exigida pelo teatro e eu, atriz do espetáculo, fiquei sentada no banco aguardando autorização para entrar no meu local de trabalho.
Depois de quase dez minutos de espera, percebi finalmente o enorme desrespeito de que estava sendo vítima e, ignorando as duas senhoras que tentavam impedir minha entrada na sala de espetáculo, entrei para me preparar para a apresentação às 21 horas.
O enorme constrangimento pelo qual passei será relatado aos meus companheiros de profissão.
Saliento também que tenho quarenta anos de carreira durante os quais tive a honra de trabalhar com os maiores diretores e atores deste país.
Portanto, exijo respeito à minha profissão regulamentada pela Lei 6533 de maio de 1978.
Cordialmente,
Elisabeta Veiga Fialho (Betina Viany)
Nota – Sr. Ben Hur: solicito cópias protocoladas da entrega deste documento aos destinatários”.